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Em Manaus, estagiária diz que foi demitida de escritório de advocacia por ser de esquerda

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MANAUS – A estudante de Direito Hamide Falcão, de 21 anos, alega que foi demitida do escritório jurídico Ale Advocacia, na última quinta-feira, 18, por seu posicionamento político de esquerda, contrário ao da empresa, que apoia o presidente Jair Bolsonaro. O escritório de advocacia nega e afirma que é ‘falácia’ e ‘ataque inverídico’.

Em postagem no Twitter, a estudante conta que após uma discussão sobre manifestantes que pedem o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) com os advogados Nelson Ale Junior e Gisele Rachel Freire, proprietários do escritório, ela foi demitida por não ter mais “clima” para continuar no trabalho.

“Na quinta-feira, 17, aconteceu uma discussão com o doutor Nelson. Ele mostrou uma live de um ministro do STF, eu não me manifestei. Ele começou a falar sobre eu ser de esquerda e os dois ficaram fazendo deboche e brincando. Até ela (Gisele) falar que não tinha mais clima para eu continuar no escritório, que precisaria me demitir”, disse.

Hamide também alega ter recebido frases contra sua crença religiosa. “Uma vez ele me perguntou se eu era católica e eu disse que era agnóstica teísta e ele disse que eu precisava de um ‘tchan’ pra virar católica. Depois da discussão de quinta, ele falou que se a doutora (Gisele) fosse ‘macumbeira’ ele não teria porque falar com ela. E começou a falar que eu era ateia e a rir disso”, disse.

Hamide disse que começou a estagiar no escritório em março deste ano e, segundo ela, sempre teve uma postura reservada quanto ao seu posicionamento político partidário. “Os comentários sobre o (presidente) Bolsonaro eram frequentes e eles diziam que eu era petista, sendo que eu nunca me declarei do PT, ou que eu me identificava com algum partido de esquerda. Porque não era meu objetivo, eu não fico de conversinha, falando de política ou dando opinião”, disse.

“Ontem foi a gota da água e me exaltei. Discutimos sobre eu ser de esquerda, sobre a minha religião e pedi para que parasse. Que o assunto já tinha se encerrado e os advogados continuaram com o assunto. Depois falaram que não havia mais como eu estagiar para eles”, contou.

Hamide registrou o caso na polícia para obter Boletim de Ocorrência por assédio moral.

Falácia e inverdades

Em nota, a Ale Advocacia classificou as postagens da estudante como “ataques inverídicos e falaciosos” e informou que Hamide será denunciada por calúnia, difamação, crime virtual e danos morais.

O escritório disse também que “jamais permitiu racismo, discriminação, preconceito com quem quer que seja. Em momento algum ocorreu tal demissão por motivos jurídicos”.

Veja a nota completa, que foi assinada pelos advogados Nelson Ale Junior e Gisele Rachel Freire:

 

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