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Preso por portar 10g de maconha, jovem morre de Covid-19 em presídio

Lucas Morais da Trindade foi condenado a 5 anos de prisão por tráfico de drogas sem direito a condicional

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Brasil – Um jovem de 28 anos, condenado a cinco anos e 10 meses de prisão por portar menos de 10 gramas de maconha morreu em decorrência da covid-19 dentro do presídio de Manhumirim, a 210 km de Belo Horizonte. Lucas Morais da Trindade, negro, era um dos 159 detentos contaminados no local. A penitenciária tem capacidade para 193 pessoas.

De acordo com boletim de ocorrência, no dia 4 de julho, o diretor do presídio de Manhumirim entrou em contato com a Polícia Militar, pelo 190, depois de ter sido alertado por agentes penitenciários que um dos detentos foi encontrado caído em sua cela. Lucas foi levado para o Hospital Padre Júlio Maria com parada cardíaca e morreu duas horas depois.

Na sua certidão de óbito consta como causa da morte, “coronavirus”, atestado por teste rápido feito na unidade de saúde.

De acordo com a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), a pasta investiga se Lucas morreu em decorrência da covid-19. Ele estava sendo acompanhado desde 25 de junho, quando foi diagnosticado com a doença, mas não apresentava qualquer sintoma até a véspera da sua morte.

“Também não tinha histórico de outras doenças nem fazia uso contínuo de medicamentos”, diz a pasta, em nota.

Tráfico de drogas

Lucas foi preso em flagrante na madrugada de 28 de novembro de 2018 e condenado por tráfico de drogas a 5 anos e 10 meses de prisão no ano seguinte. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, policiais militares foram até a casa de Lucas e encontraram menos de 10 gramas de maconha e R$ 184 com ele.

Eles foram levados até o local por um adolescente que, antes, foi abordado portando uma quantidade de maconha e teria dito que comprou a droga por R$ 10 de Lucas. O adolescente nunca foi ouvido pela Justiça, apenas pelos policiais militares, na delegacia.

Lucas Morais da Trindade foi condenado em 24 de julho do ano passado, após decisão do juiz Leonardo Curty Bergamini, da Comarca de Espera Feliz. Ele nunca confessou ter cometido o crime e disse que a droga encontrada com ele, em sua casa, era para consumo próprio. Para o juiz de Direito, o jovem tentou “alterar o tipo penal, mesmo que de forma não intencional”.

De acordo com o advogado Felipe Peixoto, casos como o de Lucas são comuns.

— A quantidade é infima, mas não é uma circunstância atípica, ao menos no interior do Estado. Aqui, os “traficantes” são presos com pouquíssima quantidade de drogas. Não havia denúncia anônima contra ele por tráfico de drogas. Ele era muito humilde, levava uma vida financeira muito simples. Esse não era o perfil dele.

A Justiça negou três habeas corpus pedidos pela defesa de Lucas. No próximo dia 28 estava marcado o julgamento do recurso dele.

 

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