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ENTRETENIMENTO

Pequena Lô fala de capacitismo, sucesso nas redes e futuro da carreira

Pequena Lô concedeu uma entrevista exclusiva ao BHAZ.

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Você pode não segui-la, mas com certeza já se deparou com algum vídeo divertido da Pequena Lô. A psicóloga Lorrane Silva é uma jovem de 24 anos que tem feito sucesso na internet, com um engajamento estrondoso. A mineira de Araxá, no Alto Paranaíba, tem mais de 2,6 milhões de seguidores no Instagram e mais de 3 milhões no TikTok. Ao BHAZ, ela falou sobre o sucesso, dificuldades, capacitismo e futuro.

A jovem começou a gravar conteúdo, primeiro para o YouTube, em 2015. “Pelo Instagram, eu comecei a fazer mesmo esses vídeos, gerando identificação, em 2018. Em 2017 eu dei parada por conta da faculdade, que começou a exigir demais de mim. Fui voltar no final de 2018, aí eu comecei a gravar os memes, fazer alguns vídeos que gerassem identificação. Vi que começou a viralizar mesmo no final de 2019, em que comecei a ter um crescimento grande de seguidores”.

Foi no meio da pandemia que a explosão da influenciadora ocorre. “Em agosto que percebi esse ‘boom’ todo. No TikTok acho que foi onde mais me ajudou a chegar onde estou agora, porque o engajamento de lá é surreal. Por lá, você tem variedades de temas. São vários tipos de pessoas, de humor”.

A psicologia ficou um pouco de lado, mas não fora da vida de Lô. O curso ainda ajuda na construção de seus vídeos. “Eu não exerci minha profissão. Eu iria começar a atuar no início da quarentena, mas aí tudo mudou. Para conciliar os dois fica bem sobrecarregado. Com certeza uso a psicologia para fazer meus vídeos, seja para gravar os stories, seja para responder alguém no direct. Ela está presente na minha vida todos os dias, mesmo que eu não esteja atuando em clínicas ou consultórios, eu utilizo ela para me comunicar com meus seguidores e para gravar”.

De onde surgem as ideias?

“As ideias, muitas das situações ali eu já vivi, mas muitos temas eu pesquiso. Então, por exemplo, eu vejo um meme escrito e, enquanto estou lendo ali, já cria uma cena automática na minha cabeça. Aí eu anoto, salvo ali, para produzir depois, colocar em prática”, explica a influenciadora.

Ela também conta que tem que ter uma constância. “Eu gravo todos os dias, mas não como antes. Agora tem as marcas, as publicidades. É uma forma de trabalho, hoje, que eu estou exercendo. Acaba que fica um pouco sobrecarregado. Por dia, eu tento produzir no máximo cinco vídeos”.

Fã de Tatá Werneck e admiradora dos mineiros

A jovem conta que, quando começou a fazer vídeos, não se inspirou em ninguém, mas admira o trabalho de vários colegas. “Acho que sempre fui autêntica, espontânea com as minhas caras e bocas. Mas eu tenho uma admiração enorme pela Tatá Werneck, Whindersson Nunes, Tirulipa, Paulo Gustavo e do Marcus Majella. Eles sempre foram humoristas que eu gostava muito e, hoje em dia, ver que eles me conhecem e gostam do meu trabalho, não tem preço”.

Lô disse que ficou “em choque” quando Tatá Werneck foi conversar com ela pelas redes sociais. “Hoje a gente troca ideia, algo que eu nunca imaginava. Ela me chamou nesse período que eu comecei a ter esse ‘boom’ todo na internet. Ela me mandou uma mensagem pelo Twitter e eu fiquei super em choque. Sou fã de uma pessoa, e ela vir falar que também é fã do meu trabalho, eu fiquei muito anestesiada”.

Em Minas Gerais, ela destaca alguns influenciadores que acompanha. “Tem o Hian [Grylls], que é da Grande BH, o Lucas Rangel, Danielle Diz, que até tive contato com eles quando estive em São Paulo. Estou conhecendo muita gente de Minas, o que é muito bom, são conterrâneos. Tem o Gustavo Tubarão também que eu gosto muito, então a gente vai se falando. Acaba que vai criando esses contatos e uma amizade. O Isaías também, sou muito fã, ele é muito engraçado. A gente vai criando esse grupo de amigos”.

‘Cigarrão’ e outros adereços

Para quem acompanha os vídeos da Pequena Lô, sabe que a jovem faz sucesso com alguns itens. Dentre eles, um “cigarrão” de papel. “Eu comecei a fazer o ‘cigarrão’ sem nada, era só com os dedos mesmo. Eu fiz algumas vezes e a galera gostou muito, aí eu resolvei aperfeiçoá-lo. Fiz com papel, bem grandão, ele está cada vez maior, inclusive”.

“O chiclete imaginário também foi algo que fiz uma vez, interpretando uma pessoa pensativa, ansiosa. Tem o café também, que começo a rodar ele quando estou nervosa, refletindo. Esses adereços que tenho, que faço hoje, acaba que virou uma marca, principalmente o ‘cigarrão’. Eu não imaginava que uma brincadeira assim viraria um bordão”.

Programa de TV e fama

A jovem também conta que tem o sonho em ter um programa de televisão. “Tem um quadro que chama ‘Tapa da Pequena Lô’, que eu até pretendo levá-lo quando eu tiver meu programa de televisão. Ainda não tem nada concretizado, mas é um dos meus sonhos, minha próxima meta. Quero fazer teatro e ter meu próprio programa de televisão, meu talk-show, quem sabe”.

A psicóloga conta que a vida dela transformou após a fama, que é reconhecida por onde passa. “Mudou tudo, completamente, eu não imaginava. Eu sempre quis ser reconhecida, levar humor para milhares de pessoas, mas eu não imaginava que seria assim como está sendo. Esse sucesso, eu vejo meu nome em vários lugares, meus vídeos viralizando muito. Isso é muito legal, é a parte principal de quando você sucesso é essa, é o carinho das pessoas”.

Displasia óssea

Lô possui uma síndrome ainda não identificada pelos médicos, mas relacionada com displasia óssea. “Nomearam assim porque os médicos não conseguiram descobrir a síndrome. Fiz estudo genético, foi até para fora do Brasil, mas não conseguiram descobrir. Eu tenho os membros curtos, principalmente os braços. Na época, o nanismo poderia estar entre esses nomes, mas foi descartado”.

Ela acrescenta que a família decidiu parar de procurar uma explicação. “Hoje, se eu descobrisse o que tenho, se o médico falasse: ‘Você tem tal síndrome’, eu ficaria feliz. Mas não mudaria quem eu sou, a maneira como é o meu dia a dia”.

Preconceito

Pequena Lô conta que foi pegar um carro de aplicativo com a mãe e, quando estava caminhando para entrar, o motorista a viu e arrancou. “Foi uma situação desnecessária, até falei nos meus stories. Não falo só por mim. Mas, se eu passei por essa situação, outras pessoas já passaram e também podem passar. Como hoje eu tenho essa imagem, que todo mundo me assiste, é importante falar para lutar com essa indiferença”.

“Todo mundo é diferente, cada um tem uma condição física. Nós, PCDs (Pessoas com deficiência), temos as nossas diferenças, mas a gente também faz parte da sociedade. Querendo ou não, são passos pequenos, mas já consigo ver a evolução dos meus seguidores desde que eu comecei, em relação a preconceito, capacitismo”.

A maioria das mensagens que ela recebe são positivas. “Claro que já vi haters em outras redes sociais, mas não diretamente na minha plataforma. Eu acho que isso sempre vai existir, o hater, o preconceito, a crítica, seja o que você for fazer, sempre vai ter alguém que não goste, que vai te criticar. Talvez é a pessoa que está mal com ela mesmo. Acho que todo mundo tem um talento. E, quando alguém não descobre qual é, quer acabar com o da outra pessoa”.

Além disso, Lô enxerga também a falta de acessibilidade em alguns lugares. “O preconceito ainda está longe de acabar. Muitas pessoas têm um pensamento muito fechado, e estou na internet para mudar essa visão em relação a nós, pessoas com deficiência. Quando comecei, impactou muito. Uma pessoa com deficiência, que dança, faz humor, se formou em psicologia, então não é todo dia que a gente vê. As pessoas com deficiência não estão reunidas em um só lugar. Mas hoje eu conheço muitas pessoas que estão na internet, colocando a cara a tapa para levar essas informações”.

Olhar por ‘dó’ e capacitismo

Muitas das vezes, de acordo com a psicóloga, as pessoas não sabem que estão sendo capacitistas, dependendo do comentário. “Hoje as pessoas me olham porque me conhecem. Antes, elas me olhavam por curiosidade, por dó, que sempre tem. Mas são situações que acontecem”.

Em um exemplo prático, Lô conta o que sofreu quando estava na faculdade. “Chegou uma pessoa a falou: ‘Nossa, você é estudante também? Então quer dizer que você também consegue fazer faculdade?’. Sabe, uma coisas assim que não têm sentido. A pessoa depois para pra pensar no que ela falou e já foi. Falo que têm coisas que é preciso pensar antes. Às vezes as pessoas falam sem maldade, sem saber que estão sendo capacitistas”.

“O legal de eu estar na internet, e outras pessoas PCDs, é esse. É levar essa informação, das pessoas pensarem antes, terem uma visão diferente que, apesar das condições físicas que cada um tem, nós também conseguimos fazer muitas coisas. Nos meus vídeos, eu mostro isso. Um vídeo de festa, mostrando que eu também frequento esses lugares, eu também posso ir numa padaria, que eu me formei. Isso é o legal. São passos pequenos, mas vai evoluindo aos poucos e essa mensagem vai chegando”.

Relação com Minas e mudança

Natural de Araxá, atualmente ela mora em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e evita contato com a família por conta da Covid-19. “Durante a pandemia eu tenho ido muito pouco a Araxá, mas minha família toda está lá. Meu pai, meu irmão, meus avós, tios, primos. Agora estou um pouco sem ir lá por conta dessa situação que a gente está passando, para não ter tanto contato, principalmente, com meus avós”.

“Mas eu vou muito, sempre tive muito contato. Eu mudei de Araxá quando tinha 17 anos, fui para Uberlândia e depois vim para Uberaba. Por aqui eu já estou há seis anos, mas tudo indica que ano que vem eu vou embora para São Paulo. Chegou o momento”, conta a influenciadora entre risos.

Nada de futebol e apoio da mãe

Sobre futebol, Lô diz não ter preferência entre Atlético ou Cruzeiro. “As únicas vezes que torci mesmo foi na Copa do Mundo. Eu sou bem desligada com isso. Eu já frequentei jogos, e é uma situação muito legal. Eu fui ao Maracanã, nas Paraolimpíadas. Fiquei muitos dias no Rio. É muito emocionante. Eu nunca fui muito ligada a futebol, mas esse dia eu senti o que os meus tios, pai, sentem quando gostam mesmo do time, é algo surreal. É uma energia muito boa”.

O pilar da influenciadora é a mãe. “Me apoiou sempre. Meu pai ficou um pouco receoso no começo, porque eu estava começando a me expor na internet. Eu estava exposta e sujeita a receber comentários positivos e negativos, então ele ficou com medo. Minha mãe sempre me apoiou, ela trabalha comigo hoje em dia. Eu tenho a equipe comercial, que cuida das marcas, mas eu quem gravo e edito meus vídeos. E a minha mãe acaba sendo minha assessora pessoal, onde estou ela está. Ela me acompanha em tudo, está comigo desde o início”.

Tuítes de haters e fãs

O BHAZ separou dois tuítes de haters e dois de fãs para Lô comentar. Veja abaixo o que ela disse sobre cada um deles.

Particularmente falando, tenho uma certa aversão a quem gosta de Gkay, Álvaro, Pequena Lô e essas coisa estranhas aí como base do seu senso de humor.

“Muitas das coisas eu não leio, porque acho que não compensa. Nem todo mundo vai gostar de tudo, e nós também não somos obrigados a agradar ninguém. Eu respeito a opinião de cada um, mesmo que ele não goste, mas tem coisas que eu acho que as pessoas não precisam falar. Muitas das vezes falam querendo o famoso ‘biscoito’ e acabam pagando um mico”, disse a inflcueciadora.

Ela ainda lembra de uma situação desconfortável. “Igual aconteceu de um cara falar que eu só estava fazendo sucesso porque eu era deficiente, que as pessoas gostavam por dó. Aí as pessoas caíram matando em cima dele, depois eu fui ver de novo o comentário e não tinha mais, ele tinha apagado. São pessoas confusas, que talvez falam negativo para chamar a atenção. O que eu tenho para falar para ele é beijão e fica com Deus, e a gente não vai parar tão cedo”.

Nossa, essa Pequena Lô tá muito saturada, tá chata já.

“Os meus seguidores crescem todos os dias. Talvez ela não goste e tudo bem. Se eu estou saturada, na opinião dela, ok. Continuo meu trabalho, vou continuar fazendo meus vídeos, todo dia tentando inovar. A gente também vai se trabalhando, cada dia a gente muda. Hoje eu não faço um vídeo, mas amanhã eu vejo que seria uma boa eu fazer. Se ela acha que estou saturada, tudo bem, não me importo com isso”.

Meu Deus, eu amo MUITO os stories de Pequena Lô. A ÚNICA coisa boa daquela rede social.

“Um beijo para essa pessoa. Eu fico muito feliz com esses comentários. Igual já falei, a parte principal é você receber esses elogios, esses carinhos. Os stories, hoje em dia, acabo aparecendo pouco, por conta do tempo corrido. Mas sempre que posso faço uma graça. Que bom que ela gosta, fico muito feliz”.

Falo sem medo que a Pequena Lô é capaz de curar depressão, tirar gente do coma e ressuscitar mortos com um vídeo de menos de 30 segundos.

“Fico muito emocionada em ler e saber que um vídeo de 15 segundos melhorou o dia da pessoa. Os meus vídeos vêm melhorando alguma situação, algumas dificuldades que eles estão passando. Acho que esse é o propósito, fazer a pessoa sorrir e também levar um alívio ali para ela, de uma maneira ou outra. Esses dois anteriores [dos haters] que falaram aí, não me abalam por isso. Eu acho que você ler uma coisa dessas, que eu estou ajudando as pessoas, é muito gratificante”.

Rapidinhas

O BHAZ separou alguns dos termos, pessoas e temas mais buscados na internet em 2020 e a Pequena Lô comentou sobre cada um. Veja abaixo!

Pandemia: “O ano de 2020 será memorável. Tiveram as situações tristes que vivenciamos, que vimos, presenciamos. Mas, particularmente, foi um ano que aprendi muito e que eu nunca mais vou esquecer. Foi o ano que eu consegui conquistar o que eu sempre quis. Eu acho que foi um ano de muito aprendizado para a maioria das pessoas. Um ano de conquistas, apesar das notícias. Acho que aprendemos muito em relação a empatia, ao amor, a pensar no próximo”.

Big Brother Brasil: “Eu entraria se me chamassem. A galera está fazendo umas ‘fanfics’ aí que eu vou, porque escrevi no Twitter: ‘Impactada com o que vem em janeiro’. Aí eles já arrumaram o quebra-cabeça de que eu estarei no Big Brother, mas não tem nada a ver. Mas, se me chamassem, eu iria sim. Seria uma experiência super legal”.

Brigadeiro de colher: “Eu amo! Principalmente quando tem a famosa pelotinha”.

Jair Bolsonaro: “Eu não gosto muito de falar de política. Tanto que não falo no meu Instagram sobre isso. Acho que política acaba causando uma discórdia. Eu respeito muito a opinião das pessoas, em quem votou ou deixou de votar. Mas a gente tem que ser realista, que não está do jeito que a gente quer, não está do jeito que deveria ser, infelizmente. Vamos ver o que vem por aí, o que vem nos próximos anos. O que todo mundo só quer agora é a vacina. O que eu mais sinto falta é do abraço. Para algumas pessoas pode ser pouco, mas para outras é muita coisa. Poder abraçar, ter o contato, voltar a fazer o que gosta”.

Rafa Kalimann: “É uma pessoa iluminadíssima. Tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente. Ela me chamou para jantar na casa dela, em São Paulo. Eu já tive contato com ela por uma live, que ela me convidou. Depois a gente passou a trocar ideia pelo WhatsApp, e aí ela me convidou para jantar e a gente se conheceu. Uma pessoa incrível, maravilhosa e espero encontrá-la mais vezes”.

Um 2021 melhor

Para encerrar, a influenciadora deixou uma mensagem para os fãs. “Que 2021 seja um ano de aprendizado também. Não sabemos ainda quando tudo vai voltar. A sensação que dá que no dia 1º de janeiro todos nós vamos tirar as máscaras e falar que acabou, mas não, ainda tem muita coisa aí que a gente não sabe. Esse ano está sendo de incertezas, que o próximo possa ser de certezas. Mais empatia, mais amor, o olhar para o próximo. Aprendemos muito com este ano, que saibamos usar isso em 2021 em diante”, completa.

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